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SÃO BERNARDO DO CAMPO 15/09/2020 CORONAVIRUS CIVID19 ASSEMBLEIA WV - Assembleia dos trabalhadores da Volkswagen em São Bernardo do Campo no patio da Wv para votar proposta de abertura de PDV para reduzir ociosidade da fábrica do ABC FOTO ALEX SILVA/ESTADAO

Depois do ABC paulista, funcionários de Taubaté e do Paraná fecharam acordo que estabelece PDV, redução de benefícios e garantia de emprego até 2025 para quem ficar no grupo.

Funcionários de mais duas fábricas da Volkswagen, a de Taubaté (SP) e a de São José dos Pinhais (PR) aprovaram na tarde desta quarta-feira, 16, proposta que prevê a abertura de um programa de demissão voluntária (PDV), congelamento de salários e redução de benefícios para que a empresa não promova demissões aleatórias. A companhia informou no início das negociações, há quase quatro semanas, que tem um excedente de 35% do seu quadro de pessoal mas não estabeleceu metas para o voluntariado. Quem permanecer na empresa terá garantia de emprego por cinco anos.

Na terça-feira, os trabalhadores da maior empresa do grupo, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, já tinham aceitado a proposta que inclui pagamentos de 25 a 35 salários extras para incentivar a adesão ao PDV. Na unidade de motores, em São Carlos, a votação ocorrerá na segunda-feira. Ao todo, o grupo emprega cerca de 15 mil trabalhadores.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, mesmo que o PDV não atinja o excedente alegado pela empresa, de cerca de 5 mil funcionários nas quatro fábricas, o conjunto de medidas aprovado será suficiente para a Volkswagen administrar seus custos e retomar investimentos. A empresa não quis comentar o tema ontem nem hoje.

A assembleia em Taubaté ocorreu no meio da tarde e a do Paraná foi feita de forma online. “Graças ao bom senso de ambas as partes (empresa e sindicatos) conseguiu-se tirar uma proposta de preservação e garantia dos postos de trabalho pelos próximos cinco anos. Com isso, há tranquilidade para que o trabalhador possa desempenhar bem sua função e a empresa possa se planejar para enfrentar o momento difícil pelo qual o País passa”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, Sérgio Butka.

Os trabalhadores das três fábricas de automóveis aceitaram também a adoção de suspensão de contratos de trabalho (layoff) por até dez meses com salários inferiores aos pagos até agora, reduzão de jornada e salários se houver necessidade, congelamento de reajuste salarial (serão substituídos por abonos), além de mudanças em benefícios como plano médico, aposentadoria privada e participação nos lucros e resultados (PLR).

Produção em queda
Segundo o presidente da Volkswagen, o grupo deixou de produzir até agora 146 mil veículos em relação ao mesmo período de 2019. “É um número que equivale a uma fábrica inteira”, disse ele recentemente. De acordo com empresa, a ociosidade nas linhas de produção representa hoje os empregos de um turno de trabalho em cada fábrica.

O setor automotivo como um todo previa produzir este ano cerca de 3 milhões de veículos, mas, em razão do fraco desempenho das vendas após o início da pandemia do coronavírus e do recuo das exportações, revisou o número para cerca de 1,8 milhão de unidades.

Demissões já vinham ocorrendo no setor em razão de processos de automação das fábricas, mas se intensificaram após a crise da covid-19. Em 12 meses até agosto, o setor fechou 6,3 mil vagas, das quais 4,1 mil na pandemia. Hoje emprega 121,9 mil trabalhadores.

A General Motors encerrou na semana passada um PDV nas  fábricas de São Caetano do Sul, na região do ABC, com 294 adesões, e em  São José dos Campos (SP), com 235. A Renault, com fábrica no Paraná, tem um PDV em andamento com intenção de cortar 747 vagas, número equivalente ao de demissões feitas em julho e que depois foram revogadas após greve dos trabalhadores. (Fonte: Estadão)

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