GOVERNO TURBINA AGENDA DE PRIVATIZAÇÃO DA CAIXA

GUEDES BUSCA NOME LIGADO AO MERCADO PARA PRESIDIR BANCO DO BRASIL
28 de julho de 2020
BANCO DO BRASIL E ITAÚ DEVEM APRESENTAR OS MELHORES BALANÇOS DO SETOR, PROJETA ÁGORA
28 de julho de 2020
GUEDES BUSCA NOME LIGADO AO MERCADO PARA PRESIDIR BANCO DO BRASIL
28 de julho de 2020
BANCO DO BRASIL E ITAÚ DEVEM APRESENTAR OS MELHORES BALANÇOS DO SETOR, PROJETA ÁGORA
28 de julho de 2020

GOVERNO TURBINA AGENDA DE PRIVATIZAÇÃO DA CAIXA

Venda enfraquece o papel social do banco público e compromete os investimentos em desenvolvimento no país

Os planos do governo para privatizar o banco público estão sendo colocados em prática. A agenda de venda das subsidiárias foi ampliada e o presidente da empresa, Pedro Guimarães, já sinalizou a abertura de capital da Caixa para outubro deste ano. As outras subsidiárias na lista da privatização são Cartões, Loterias e a gestão de ativos, já para 2021. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Guimarães colocou mais um nome no pacote, o banco digital, que está sendo usado para o pagamento do auxílio emergencial. A plataforma poderá ser transformada em uma nova subsidiaria e teria o capital aberto também no ano que vem.

Ao abrir o capital de partes estratégicas da Caixa, o governo privatiza e enfraquece o papel social do banco. A situação é ainda pior neste momento de crise. Com a instabilidade do mercado, a Caixa poderá ser vendida por valores bem abaixo do que realmente vale. Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sérgio Takemoto, a abertura de capital é a privatização do banco. “A abertura de capitais é o enfraquecimento brutal da Caixa e isso para nós é a privatização.  Por isso somos contra”, afirmou.

Ainda segundo Takemoto, a população será a mais atingida se a Caixa perder suas subsidiárias. São essas áreas que permitem que o banco financie menores taxas para a compra da casa própria e realize a operação de toda a área social, como benefícios ao trabalhador, acesso a produtos e serviços por meio da bancarização, além do Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), por exemplo.

“Uma série de programas sociais são beneficiados com a arrecadação das loterias. 40% do que é arrecadado nas Loterias, por exemplo, vão para programas sociais, como o Fies. É um prejuízo muito grande para a população e para o Estado essa abertura de capitais”, defendeu.

Ao jornal Metrópoles, Pedro Guimarães chegou a afirmar que o “banco em si” pode enfrentar o processo de abertura de capital, caso o modelo funcione bem com as subsidiárias. “Mas podemos, no futuro, considerar sim uma abertura de capital. Para isso, temos que primeiro fazer abertura das subsidiárias e ver a reação”.

Para o presidente da Fenae, ao fazer o IPO o que irá prevalecer serão os interesses dos acionistas. “A empresa deixa de ter o interesse social e da população e passa a trabalhar única e exclusivamente para os interesses dos acionistas, ou seja, o lucro a qualquer custo, sem se preocupar com o social”, afirmou.

A representante dos empregados da Caixa no Conselho de Administração, Rita Serrano, também vê com preocupação a decisão dos IPOs das subsidiárias. “Privatizar as operações da Caixa é privatizar o banco. O que o banco arrecada gerenciando sozinho com essas operações será partilhado com acionistas privados e o único interesse de um acionista privado é o lucro. Não há interesse no desenvolvimento do país, em programa social”, ressaltou Rita.

Defesa da Caixa 100% pública
A Fenae e as entidades representativas dos bancários têm mobilizado os trabalhadores e a sociedade contra a privatização da Caixa e das áreas estratégicas. A campanha #ACaixaÉTodaSua está ativa em todo país alertando sobre o papel social do banco público e os prejuízos que a venda das partes lucrativas do banco público causaria ao país. Em sua segunda etapa, a campanha reforça o trabalho essencial dos empregados na linha de frente do auxílio emergencial.

A Federação também encaminhou carta ao Presidente da República solicitando que não sejam vendidas as partes rentáveis da Caixa e de outras empresas públicas.

Diante dos ataques frequentes à Caixa e as empresas públicas, a Fenae e demais entidades representativas dos empregados da Caixa se engajaram na campanha “Parem de vender o Brasil”, com o objetivo alertar sobre os prejuízos que a privatização das estatais pode trazer ao país. Uma das iniciativas é o apoio ao Projeto de Lei 2715, que suspende as privatizações até 2022. O PL, de autoria do deputado Enio Verri (PT) e das deputadas Perpétua Almeida (PCdoB-AC), Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Joenia Wapichana (Rede-RR), visa impedir o avanço dos planos privatistas do governo Bolsonaro durante a pandemia da Covid-19.

 

(Fonte: Seeb SP e Fenae)

Os comentários estão encerrados.