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Bradesco quer conquistar cliente na alta renda nos EUA

O banco também pretende oferecer mais produtos e serviços aos brasileiros que queiram operar no mercado americano. Foi isso que motivou a compra do BAC Florida Bank, anunciada ontem 06/05

O Bradesco quer ampliar sua base de clientes nos segmentos de private bank, alta renda e corporativo nos Estados Unidos, e oferecer mais produtos e serviços aos brasileiros que queiram operar no mercado americano. Foi isso que motivou a compra do banco americano BAC Florida Bank, anunciada hoje cedo pelo Bradesco, pelo valor de aproximadamente US$ 500 milhões (cerca de R$ 2 bilhões).

“Temos uma carência em atender clientes de alta renda e private banking nos Estados Unidos. Agora vamos complementar essa oferta e colocar o pé de fato nos Estados Unidos como banco”, disse Octavio de Lazari Junior, presidente do Bradesco, em conferência com jornalistas para falar sobre a transação.

O executivo afirmou ainda que a aquisição foi uma operação pontual, e partiu de uma oportunidade identificada há cerca de um ano. “O BAC não estava à venda, mas começamos a conversa assim que identificamos que a instituição tinha uma estrutura adequada para o que precisávamos”, afirmou. Ele ressaltou, no entanto, que essa compra não é um passo no sentido de internacionalização do banco. A intenção do Bradesco, acrescentou, não é atuar como instituição financeira de varejo fora do Brasil.

Segundo Lazari, o Bradesco pretende manter a estratégia atual do banco, que “é sólida e rentável”. “Adquirimos o BAC para que os clientes brasileiros tenham opção de fazer investimentos no Brasil e nos Estados Unidos por meio desta plataforma. Estamos ampliando o leque”, afirmou.

Com a aquisição, o Bradesco incorporou a plataforma digital My eBanc, que atende por meio de serviços bancários online e via celular 49 estados norte-americanos. Os principais produtos são depósitos, investimentos e conta corrente. “Do Brasil, se poderá abrir conta nos Estados Unidos, acessar extratos, fazer investimentos, tudo pelo celular. Os clientes poderão operar lá fora como se operassem no Brasil”, afirmou o executivo.

Sediado em Coral Gables, na Flórida, o BAC tem um histórico de mais de 45 anos no setor bancário dos EUA, com foco em estrangeiros não-residentes de alta renda e financiamento imobiliário. Segundo Lazari, os brasileiros não-residentes representam 22% do portfólio de crédito imobiliário do BAC, que é principal provedor de crédito imobiliário na Flórida para estrangeiros de alta renda.

Lazari comentou que, no Brasil, o Bradesco tem cerca de 13 mil clientes no segmento private, com R$ 200 bilhões em gestão, enquanto o BAC Florida tem aproximadamente 10 mil clientes, com US$ 1,8 bilhão de ativos sob gestão. Desse total, o BAC conta com 20% de brasileiros entre os seus clientes, 10% americanos e 9% argentinos. O restante está pulverizado entre diferentes nacionalidades.

O BAC Florida encerrou 2018 com ativos totais de US$ 2,2 bilhões, um patrimônio líquido de US$ 206 milhões e um lucro líquido de US$ 29 milhões. O ROAE ficou em 15,3% e o índice de Basileia nível 1 em 13,2%. Segundo a apresentação, a aquisição do BAC Florida, pelo valor de US$ 500 milhões, sairá com um múltiplo de preço/PL implícito de 2,55 vezes.

Fonte – Infomoney

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