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Para 25% dos desempregados, recolocação demora dois anos

Pelo menos 3 milhões de brasileiros estão procurando um novo trabalho desde 2016, diz IBGE

Um em cada quatro brasileiros desempregados no país procura trabalho há dois anos ou mais, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 12,5 milhões de pessoas sem emprego no país no terceiro trimestre deste ano, 3,197 milhões estavam em busca de emprego há dois anos ou mais. Esse contingente é recorde e corresponde a 25,6% do total de desempregados do país e um acréscimo de 350 mil pessoas em um ano. No segundo trimestre de 2018, pessoas nessa condição eram 3,162 milhões, ou 24% do total de pessoas sem emprego.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2017, o instituto verificou aumento de 12,3% no contingente de desempregados há pelo menos dois anos.

A cuidadora de idosos Aparecida Matias, de Belo Horizonte, é uma dessas pessoas. “Hoje, sou plantonista de fim de semana. O meu último emprego com carteira assinada foi em 2014”, diz. Nesta quarta-feira, ela estava no Sine da praça Sete, na região central da capital, em busca de uma oportunidade. Para ela, o mercado de trabalho está ruim. “Nunca fiquei tanto tempo sem carteira assinada. Antigamente, se ficasse desempregada, em dois meses conseguia uma outra oportunidade”, conta. Aparecida frisa que tem experiência e fez vários cursos, e ainda assim não consegue uma oportunidade.

50 milhão de trabalhadores procuram emprego há mais de um ano, mas menos de dois anos. É o caso de Nilton de Lima, também de Belo Horizonte. “Procuro uma vaga na área administrativa. Eu venho no Sine quase todos os dias”, lamenta.

Ele conta que, além do curso técnico em contabilidade, acabou de se formar em direito. “Trabalhei em empresas de grande porte, fiz estágio em escritórios de advocacia e também no Tribunal de Justiça. E, em algumas entrevistas, chegaram a falar que eu era muito qualificado para a empresa”, reclama.

Ainda conforme os dados do IBGE, o grosso dos desempregados no terceiro trimestre, 5,764 milhões, estavam em busca de uma vaga há pelo menos um mês, mas menos de um ano. Na faixa dos que tentavam encontrar um trabalho, há menos de um mês estavam em 1,681 milhão de pessoas.

O nível de desocupação total do país no terceiro trimestre de 2018 foi de 11,9%, menor que os 12,4% no segundo trimestre deste ano. Em Minas Gerais, a taxa de desocupação foi de 9,7% no terceiro trimestre deste ano. Em 21 das 27 unidades da Federação, a taxa de desocupação permaneceu estável em relação ao segundo trimestre de 2018.

Segundo o IBGE, o rendimento médio de quem tem carteira assinada é de R$ 2.134, valor 60% maior do que o dos trabalhadores sem carteira (R$ 1.328). Em Minas Gerais, o rendimento médio real foi de R$ 1.950. (Com agências)

Informalidade já representa 74,2% das novas vagas

A taxa de informalidade entre as pessoas que entraram no mercado de trabalho atingiu 74,2% de 9,4 milhões de pessoas que começaram a trabalhar no segundo trimestre. O valor é muito maior do que os 39% de informalidade em relação ao número total de pessoas empregadas no país, que são 91,2 milhões de ocupados. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O saldo final foi de 600 mil trabalhadores a mais no mercado de trabalho, passando de 90,6 para 91,2 milhões, na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2018. A rotatividade, no entanto, continua alta: 8,8 milhões que estavam ocupados ficaram desempregados ou saíram da força de trabalho, em contraposição aos 9,4 milhões de inativos ou desocupados que conseguiram trabalho.

A conclusão do Dieese é que “a maioria dessas pessoas que entraram no mercado de trabalho no segundo trimestre ingressou em trabalhos precários: maior informalidade, menor cobertura previdenciária, ocupações típicas de uma economia com baixo dinamismo (especialmente para as mulheres) e rendimentos inferiores à metade do mercado de trabalho em geral”, disse a entidade.

Retrato da informalidade, Antônio Vieira dos Santos vende perfumes nas ruas de Belo Horizonte. “Eu preciso trabalhar para sobreviver, pois tenho vários filhos para criar”, diz. Ele conta que tem parafuso na perna, fruto de um acidente, por isso, tem dificuldade para conseguir um emprego de carteira assinada. Sem emprego fixo, Maria Ivanete Machado do Carmo faz alguns trabalhos esporádicos. “Faço bicos em bufês como garçonete”, diz. Ela está há quase oito meses desempregada.(JG com agências)

Fonte – Jornal O Tempo

 

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