O coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, explica que, em quatro anos, 4 milhões de postos com carteira assinada foram perdidos no Brasil, o que justifica o aumento linear de trabalho por conta própria. “A informalidade é retrato de um reajuste da economia do país”, diz.
Neste cenário de desarranjo, há profissionais autônomos prestadores de serviços e também os informais que não têm empresa aberta, mas fazem “bicos” para gerar renda.
Dados exclusivos divulgados a VEJA mostram que há hoje 1,4 milhão de ambulantes trabalhando no país, a maioria deles no setor de comércio e alimentação.
Segundo o IBGE, 80% desses profissionais por conta própria — que incluem os ambulantes — não têm CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) e a maioria nem sequer contribui com a Previdência.
“A informalidade é ruim pela falta de proteção social e financeira. O profissional tem de quebrar pedras a cada dia, e se fica sem trabalho, não gera renda e não pode investir. Freia a economia e desestabiliza ainda mais o país”, afirma Azeredo.
Para se ter uma ideia, a quantidade de brasileiros que atuam na informalidade representa quase um quarto de todos os trabalhadores do país, segundo o IBGE. No segundo trimestre de 2018, 23 milhões profissionais atuavam nessas condições, de um total de 91 milhões trabalhadores.
Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, principais centros econômicos do país, por sua vez, registraram o menor nível de carteira assinada do país, com 9,9 milhões e 2,8 milhões de trabalhadores por conta própria, respectivamente.
André Roncaglia, economista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), reforça que a quantidade de profissionais informais no país não demonstra o potencial de empreendedorismo da economia. Pelo contrário, destaca o quanto o país tem dificuldade para absorver sua mão de obra.
Fonte – Revista Veja



