7ª rodada: FENABAN não apresenta índice e propõe redução e regionalização de direitos dos bancários

Redução da maioridade penal: veja como será a comissão especial da Câmara
13 de agosto de 2026
FENABAN apresenta proposta de reajustes diferenciados, mas representação dos bancários rejeita retrocessos
13 de agosto de 2026
Redução da maioridade penal: veja como será a comissão especial da Câmara
13 de agosto de 2026
FENABAN apresenta proposta de reajustes diferenciados, mas representação dos bancários rejeita retrocessos
13 de agosto de 2026

7ª rodada: FENABAN não apresenta índice e propõe redução e regionalização de direitos dos bancários

FEEBSC participa da negociação e rejeita propostas que ameaçam a CCT e a unidade nacional da categoria; Armando Machado Filho classifica tentativa de reduzir benefícios como “afronta aos bancários”

A sétima rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários, realizada nesta quinta-feira (13), entre a CONTEC e a FENABAN, avançou para um cenário de forte preocupação para a categoria. A Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Santa Catarina (FEEBSC) participa da mesa representada por seu presidente, Armando Machado Filho.

Na primeira parte da negociação, a representação dos bancos não apresentou um índice de reajuste para os salários e demais verbas econômicas reivindicadas pelos trabalhadores. Em contrapartida, colocou em discussão propostas que podem reduzir e regionalizar direitos hoje assegurados nacionalmente aos bancários.

Entre as possibilidades apresentadas estão valores diferenciados de reajuste salarial, benefícios de alimentação definidos de acordo com a localidade e diferenciação do piso salarial conforme o local de atuação do trabalhador.

Para a representação dos trabalhadores, propostas dessa natureza ameaçam um dos principais pilares da organização da categoria: uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) nacional, com direitos assegurados aos bancários independentemente da região do país em que trabalham.

VA e VR: FENABAN defende redução e regionalização

A discussão sobre os benefícios de alimentação foi um dos pontos de maior tensão da rodada.

A FENABAN apresentou números segundo os quais a inflação acumulada em 12 meses seria de 2,57% para alimentação e 4,50% para refeição fora do domicílio.

A representação patronal também comparou os benefícios dos bancários com os pagos a trabalhadores de outras categorias, argumentando que os valores recebidos pelos bancários estão acima dos praticados em outros setores. A comparação foi utilizada para sustentar a posição de que não haveria espaço para a valorização dos benefícios nos patamares reivindicados pela categoria.

Além disso, os bancos apresentaram a possibilidade de vincular o benefício de alimentação aos valores da cesta básica divulgados pelo DIEESE em cada estado/localidade.

A adoção desse critério poderia provocar redução expressiva do benefício em diversas regiões, além de criar valores diferentes para trabalhadores abrangidos pela mesma Convenção Coletiva.

Os representantes dos trabalhadores rechaçaram a proposta, ressaltando que as conquistas da categoria não podem ser comparadas com benefícios inferiores de outros setores para justificar retrocessos.

A avaliação da representação sindical é de que regionalizar benefícios e pisos significaria enfraquecer a Convenção Coletiva nacional e desconsiderar décadas de negociações, mobilizações e conquistas construídas pelo movimento sindical bancário.

PLR: bancos não aceitam mudar modelo de cálculo

A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) também foi objeto de discussão na mesa.

A FENABAN afirmou que não vê espaço para alterações na atual fórmula de cálculo da PLR. Como justificativa, sustentou que o crescimento dos resultados das instituições financeiras já se refletiria no valor recebido pelos trabalhadores por meio das regras existentes.

A representação dos trabalhadores, entretanto, defende que os resultados expressivos alcançados pelo sistema financeiro precisam resultar em maior valorização de quem contribui diretamente para a construção desses lucros.

A reivindicação permanece pela valorização da PLR, assim como por aumento real nos salários, valorização dos pisos e melhoria dos benefícios econômicos para toda a categoria, preservando o caráter nacional dessas conquistas.

Trabalhadores rejeitam divisão da categoria

A representação dos trabalhadores deixou claro durante a negociação que não aceitará propostas que criem bancários com direitos diferentes dependendo do banco, cidade ou estado onde trabalham.

A defesa é de uma negociação nacional que preserve a unidade entre trabalhadores dos bancos públicos e privados e assegure avanços para toda a categoria.

Para o presidente da FEEBSC, Armando Machado Filho, que participa diretamente da negociação, a tentativa de reduzir benefícios conquistados historicamente representa uma afronta aos trabalhadores.

“A proposta apresentada pela FENABAN foi uma afronta aos bancários e à história de luta da nossa categoria. Não estamos falando de benefícios concedidos espontaneamente pelos bancos, mas de conquistas construídas ao longo de décadas de mobilização e negociação coletiva. Regionalizar salários, pisos ou benefícios e reduzir o que o trabalhador recebe hoje significa atacar a nossa Convenção Coletiva e tentar nivelar direitos por baixo.”

Armando reforçou que a posição da FEEBSC é pela preservação da unidade nacional da categoria:

“Os bancos acumulam lucros bilionários graças também ao trabalho dos bancários. Não há justificativa para utilizar benefícios menores de outras categorias como parâmetro para retirar aquilo que os bancários conquistaram. A FEEBSC rechaça qualquer tentativa de retrocesso. Conquista não se reduz: se preserva e se amplia.”

A rodada de negociação de hoje está suspensa, com previsão de retorno às 16h.

Diretoria de comunicação – FEEBSC

Os comentários estão encerrados.