
COE Itaú CONTEC debate ACT Macro e cobra medidas de proteção aos trabalhadores
8 de outubro de 2026Quem trabalha precisa ser ouvido, respeitado e representado. A defesa dos direitos exige participação e entidades capazes de levar as reivindicações coletivas à mesa de negociação.
O plano de governo de Flávio Bolsonaro, disponível no Tribunal Superior Eleitoral, apresenta críticas à estrutura sindical nas páginas 44 e 45. O documento questiona dirigentes, a unicidade sindical e a participação de sindicalistas na formulação de políticas públicas. . Consulte o plano oficial. Abaixo trecho da proposta :
¨O país precisa se posicionar contra a República Sindical, em que os interesses de dirigentes das entidades se sobrepõem ao interesse dos trabalhadores. É público e notório que, após a modernização trabalhista de 2017, tais agentes se mobilizaram para reverter as perdas advindas do fim do imposto sindical. O princípio da unicidade sindical garante monopólios a esses representantes. Por conta disso, se organizam para reproduzir seus espaços de poder, vilanizando todas as propostas que de fato colocam o trabalhador em primeiro lugar¨.
¨Esses trabalhadores serão protegidos, sem os interesses de dirigentes sindicais a frente do processo¨.
Precisamos compreender a gravidade do momento. O fim das entidades sindicais não é apenas uma ameaça institucional, é um ataque direto à força coletiva dos trabalhadores. Sem sindicatos, o trabalhador fica só diante de patrões poderosos, que já demonstraram sua capacidade de explorar e impor condições cada vez mais duras.
Os bancários sabem bem: os patrões têm recursos, influência e poder econômico. Se não houver organização sindical, eles poderão negociar diretamente com cada empregado, impondo contratos frágeis e sem garantias. A proposta que está em debate deixa claro: dá ao patrão o direito de negociar como quiser, enfraquecendo totalmente a proteção coletiva.
Além disso, a proposta defende a unicidade sindical, permitindo que cada banco crie o seu próprio sindicato. Isso fragmentaria a categoria, enfraqueceria a negociação coletiva e tornaria impossível manter a unidade necessária para enfrentar os grandes grupos econômicos. Em vez de fortalecer os trabalhadores, essa medida só favorece os patrões.
Mais grave ainda: a proposta tenta colocar toda a sociedade contra as entidades sindicais ao afirmar que “o país precisa se posicionar contra a República Sindical”. Essa retórica busca criminalizar a organização dos trabalhadores e enfraquecer a legitimidade das entidades que sempre estiveram na linha de frente da defesa de direitos.
Se aprovada, essa proposta fechará muitas portas de sindicatos e poderá nos tornar os últimos dirigentes liberados. Sabemos que não haverá mais possibilidade de liberar novos dirigentes, o que significa o fim da representação sindical como conhecemos hoje. Sem dirigentes, sem sindicatos fortes, o trabalhador ficará desamparado.
A Federação dos Bancários de Santa Catarina repudia essa proposta, pois ela representa um retrocesso histórico e ameaça diretamente os direitos conquistados com décadas de luta. Não podemos permitir que o trabalhador seja colocado em posição de fragilidade diante de interesses patronais.
E não para por aí. Outras ameaças já estão no horizonte: uma nova reforma previdenciária que pode elevar a aposentadoria para 70 anos, desvincular o benefício do salário mínimo e eliminar reajustes. Isso significa trabalhar até a exaustão e se aposentar com rendimentos insuficientes para viver com dignidade.
Por isso, é hora de agir. Não se trata de escolher lado político, mas de defender direitos históricos e condições de trabalho decentes. O voto consciente é a única ferramenta que temos para fortalecer nossa categoria e garantir que a luta continue. Sem participação, sem mobilização e sem união, o trabalhador será massacrado pela força patronal.
O texto é claro, a ameaça é real. Cabe a nós decidir se vamos assistir passivamente ou se vamos lutar para preservar nossos direitos. O futuro da classe trabalhadora depende da nossa consciência e da nossa ação agora.
Diante desse debate, não podemos abrir mão de nossa responsabilidade: informar, cobrar esclarecimentos e defender a participação dos trabalhadores e do voto consciente no segundo turno para presidente nas eleições 2026. Não temos outra alternativa senão votar pelo trabalhador, que é o lado mais frágil deste contexto. A proposta é clara: enfraquecer a classe trabalhadora e dar poderes aos patrões, que cada vez mais exploram e adoecem seus empregados visando apenas lucros.
Nossa atuação é apartidária. Nosso compromisso com os direitos dos trabalhadores é permanente. Defender a existência das entidades sindicais é preservar a voz coletiva e a capacidade de negociação da categoria. Cada dirigente sindical tem o dever de representar os trabalhadores e defender seus direitos.
Armando Machado Filho – Presidente – Federação dos Bancários de Santa Catarina

